28 Mar 2014
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Conhecida como a Cidade dos Arcebispos, a cidade de Braga é reconhecida internacionalmente com um dos destinos mais ricos em termos de turismo religioso. Neste contexto, as celebrações da Semana Santa e da Páscoa assumem nesta cidade um caráter muito especial. Durante uma semana, os rituais sagrados desta quadra são integrados em todo um contexto de vivência religiosa, com as ruas decoradas a propósito e a música sacra espalhada pelas ruas.

Decorações em tons de roxo, a cor da paixão de Cristo, música sacra e um ambiente que invade até as casas de comércio conferem à cidade um ambiente místico inesquecível para o visitante.

As principais celebrações

Tudo começa no sábado anterior ao Domingo de Ramos, com a trasladação, em procissão, da imagem do Senhor dos Passos desde a igreja de Santa Cruz até ao Seminário. Normalmente, a procissão é feita à noite e percorre algumas vias do centro histórico ao som de música sacra, num ambiente de grande misticismo e religiosidade.

Depois da procissão decorre a Via Sacra, percorrendo as oito estações que correspondem ao caminho de Cristo para o Calvário.

O domingo de Ramos é marcado pela missa na Sé Catedral, com a tradicional bênção dos ramos, que celebram a forma como o povo saudou Jesus Cristo, com ramos de árvores, quando este desceu o Monte das Oliveiras, em direção a Jerusalém.

Ao fim da tarde tem lugar a procissão de Ramos, desde a Igreja de São Paulo até à Igreja de Santa Cruz, junto à Catedral, onde os fiéis podem ouvir o famoso “Sermão do Encontro”, que celebra o encontro entre Jesus Cristo e sua mãe, antes do martírio na Cruz.

Durante a semana santa que assim se inicia, toda a cidade de Braga mergulha num ambiente místico de profunda religiosidade; a música sacra invade as ruas; até o semblante dos residentes e dos turistas é marcado pela celebração da Paixão de Cristo.

Para além de todo este ambiente durante a semana destacam-se alguns rituais, que a seguir apresentamos, bem como um breve historial de cada uma dessas celebrações. Eles são os verdadeiros pontos altos da Semana Santa de Braga.

Procissão da Burrinha (Quarta Feira Santa)

Esta procissão é a primeira das três grandes celebrações porque evoca os principais momentos que cronologicamente se situam antes da Paixão de Cristo. Assim, os figurantes que podemos ver na procissão representam essencialmente cenas do Antigo Testamento, como o momento em que Abraão, nas terras distantes da Mesopotâmia, é chamado e convidado por Deus a reunir e a conduzir o seu povo à Terra Prometida. Depois, evidentemente, destacam-se na procissão todas as grandes figuras das escrituras antigas: Isac e Jacó, Moisés, David, Salomão, entre outros de igual importância.

O cortejo termina obedecendo à referida ordem cronológica, com a representação de Jesus em criança, juntamente com seu pai e sua mãe, montada numa burrinha; daí o nome da procissão.

Procissão do Senhor “Ecce Homo” (Quinta Feira Santa)

A Procissão do Senhor “Ecce Homo”, também conhecida como a Procissão dos Farricocos, atrai milhares de pessoas às ruas de Braga. Nessa noite, decorre a cerimónia do lava-pés, evocando o ato de humildade de Jesus Cristo perante os seus apóstolos, seguindo-se uma missa que celebra a Última Ceia de Cristo. Depois, decorre a procissão de Quinta-Feira Santa. Evoca-se o julgamento de Jesus e respetiva condenação à morte. O ambiente de profunda tristeza, de desespero mesmo, é marcado pelo grupo de encapuçados, os Farricocos, que seguem no desfile como penitentes, descalços e com cordas à cintura, empunhando ruidosas matracas e transportando fogaréus (tochas de pinhas a arder). O efeito plástico é tremendo e o silêncio cortado pelo ruído tenebroso das matracas confere um misticismo impressionante.

Enterro do Senhor (Sexta Feira Santa)

Durante todo o dia os sinos das igrejas e a música sacra convidam os fiéis à reflexão e à oração. À noite, a procissão simula o enterro de Jesus Cristo, a partir de uma tradição trazida de Jerusalém no século XV.
Uma urna coberta com um pano preto é conduzida pelas naves da catedral e colocado num lugar próprio onde é venerado pelos fiéis. Depois a urna é transportada pelas ruas da cidade. O que mais impressiona nesta procissão é a forma quase mágica como as dezenas de milhares de fieis permanecem em silêncio perante a urna do Senhor.

Todo este ambiente de tristeza contrasta com a festa da ressurreição. No domingo, a festa pascal traz a alegria da vida renascida. Uma cruz festiva transportada por sacerdotes visita todas as casas da cidade, agora engalanadas com flores ao som festivo dos sinos e de fogo-de-artifício.